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Kaxinawá ou Huni Kuin

  São pertencentes a família linguística Pano, que abrange do Peru até o sul do Amazonas, sendo que as aldeias brasileiras estão no estado do Acre e se espalham por diversos rios da região, esses dois grupos foram divididos após uma rebelião com os seringalistas, sendo que uma parte subiu para a cabeceira do rio Purus no Peru enquanto a outra permaneceu aqui. Ainda hoje eles mantes os lanços culturais a partir dos casamentos entre as tribos, mas são visíveis as diferenças que essa mudança de localização causou nesses dois grupos. Todos os subgrupos nawá são pertencentes a essa família por terem tanto a língua como a cultura muito próximas uma da outra. Cada um desses subgrupos se auto denominam huni kuin (homens verdadeiros), talvez por ainda manterem vivas a tradição e cultura de seu povo, algo que os distingue dos outros homens são as transições de nomes que sofrem.

    Os primeiros contatos com os não-índios se deu quando os seringalistas fizeram excursões pela região em busca de escravos, mas pouco se sabe dessas excursões pela falta de informações que foram escritas ou armazenadas. A chegada desses seringueiros, infelizmente, não foi algo passageiro, pois para se ter a borracha as árvores precisam ser mantidas e preservadas, o que fez com que permanecessem no local, independente dos autos e baixos do mercado vigente. Algo muito chocante mas corriqueiro na época foi a violência sofrida pelos indígenas, que além das doenças trazidas pelos homens brancos foram obrigados a se deslocarem de seu local de origem em violentos confrontos com os mateiros (homens responsáveis por abrir as estradas para as seringas), que além de seu serviço habitual deveriam limpar a área dos índios arredios. Com o tempo e a pressão dos seringalistas os índios foram se aquietando, os que não eram a favor mudavam de região, sendo que até pouco tempo atrás existiam tribos no Peru que evitavam qualquer tipo de contato com os não-índio.
  Na parte espiritual eles acreditam que os verdadeiros xamãs, conhecidos como mukaya que continham em si o muka, morreram a muito tempo, mas isso não os impedem de realizar seus rituais e cerimônias que se tornaram menos poderosas mas aparentemente do mesmo modo eficientes, talvez pelo fato de que os mukaya tinham apenas o privilégio da retirada do muka, enquanto o conhecimento da comunicação com os yuxin (mundo espiritual) é restrita dos mais velhos. Esse fato deixa ambíguo o fato da existência ou não dos xamãs, pois muitos detém o conhecimento da tribo. Alguns acreditam que essa frase pode ser interpretada pelo modo de que muitas regras de abstinência eram afligidas aos mukaya, regras essas que não tem poder sobre os mais velhos da tribo. Algo de suma importância é o contato feito com o yuxin, pois os Kaxinawá acreditam que as doenças e coisas ruins estão nesse plano, sendo que apenas o mediador que contém os conhecimentos pode apaziguar esses males. A iniciação no xamanismo pode ser fita tanta de livre e espontânea vontade, quando o interessado busca aprender, quanto pela escolha dos yuxin que conseguem enxergar o muka existente no coração do escolhido. Vale ressaltar que qualquer um pode tentar ser um xamã mas nenhum conhecimento pode criar o muka e apenas quem tiver essa substância poderá de fato extrair os poderes necessários para os rituais.
  Os mitos de criação desse povo estão sempre ligados a algum animal que os ensinou. O animal é o “huni kuin encantado” e o yuxin pertencente nele ensinou aos homens tudo que eles deveriam saber. Alguns exemplos são: o esquilo que ensinou a arte de plantar (pela sua figura de estocagem de comida, algo que é necessário para aprender o plantio), o macaco que pelos seus hábitos ensinou como se deve copular, a rata que ensinou como são feitos os partos, a aranha com o dom da tecelagem e muitos outros animais.
  A organização social deles é fortemente fundada na divisão dos sexos, sendo que as atividades sempre são feitas com as mulheres de um lado e os homens do outro, o que é muito importante nos rituais. As crianças são ensinadas desde cedo as atividades do cotidiano e com o passar dos anos a dificuldade dessas atividades vão aumentando. Logo quando nasce a criança recebe o seu nome e tem o período da infância para se adaptar aos poucos com ele, os termos de parentesco também são ensinados nessa mesma época e depois que eles são gravados e dominados os nomes próprios vão sendo substituídos por esses termos de parentesco.
  Existem vários tipos de rituais praticados por eles, sendo que alguns são:

  •         Txidin: Caracteriza-se pelos cantos da criação do mundo, pela dança do líder e pelo acompanhante. É feito com vários elementos e cada um deles tem a sua característica e importância bem estabelecidas, sendo que de um lado ficam os filhos da onça e do outro os filhos do brilho, complementando um ao outro no mito da criação;

  •          Katxanawá: É o ritual da fertilidade e normalmente é feito várias vezes ao ano. Basicamente é a representação em dança dos yuxin da floresta em torno de um tronco que foi cortado, descascado e esvaziado dentro da floresta pelos homens que fazem o papel de invasores;

  •          Festa do fogo novo: Consistia na mudança do fogo velho para o fogo novo de forma ritualística, com caçadas que davam alimento para vários dias de festa. Hoje em dia esse ritual perdeu seu significado pois o fogo novo pode ser e é feito todos os dias;

  •          Casamento: O interesse nas meninas da tribo pelos homens se torna legítimo após a primeira menstruação, uma série de fatores pode influenciar na escolha do pretendente, como ser um primo próximo da mesma aldeia no caso do primeiro casamento. Antes do casamento ser consumado a mãe consulta a filha sobre o pretendente, que consultou a mãe que por sua vez vai consultar o marido. O casamento é consumado a partir do momento que o pretendente começa a dormir na casa do sogro, caso ele já tenha uma esposa, deve-se construir uma habitação próxima da casa da pretendente onde eles irão morar juntos. O casamento em si não é considerado importante o suficiente para se fazer uma festa e o máximo que ocorre é o ritual descrito.

  •          Outros rituais praticados: Nixpupima e Dau.

    A arte é algo muito importante para eles, as pinturas corporais podem ser feitas em ocasião das festas ou pelo simples fato de gostarem de se arrumar. As crianças não recebem desenhos apenas são enegrecidas com a pasta do jenipapo dos pés à cabeça enquanto os adultos tem o rosto todo pintado. A pintura com o jenipapo é considerado algo feminino, nas festas muitas delas podem ficar sem os desenhos mas no cotidiano quando o marido trás o jenipapo da floresta, logo se animam em fazer a pasta e pedir para alguém as pintar. Os mesmos formatos das pinturas de rostos podem ser encontrados nos corpos, cerâmicas, tecelagens e outros diversos meios de representação artística.
  A maioria das atividades de produção são feitas pelas mulheres, desde o mingau até a preparação dos alimentos arranjados nas caçadas. Os trabalhos cotidianos, como lavar roupa, o trato da cozinha, da cerâmica, do algodão, da fabricação de alguns tipos de cestos para o uso doméstico e do roçado também são atividades femininas, exceto o plantio do amendoim que é feito por homens e mulheres. Enquanto que a principal atividade feita pelo home é a da caça, os meninos a partir dos oito anos de idade já podem acompanhar os pais nesses eventos. Outras atividades feitas pelos homens é o preparo da terra para o plantio, a pesca e a coleta de frutas silvestres (algo que também pode ser feito pelas mulheres).

Mantendo a cultura

  Uma iniciativa muito bacana para a preservação da cultura dos Huni Kui é o livro Uma Isi Kayawa – O livro da Cura, que foi idealizado pelo pajé Agostinho Manduca. Seu sonho era que todo o conhecimento das ervas medicinais que possuía não fosse perdido quando morresse, infelizmente quando o livro foi lançado o pajé já tinha falecido e não pode contemplar a sua obra idealizada. O livro foi lançado no rio de janeiro, cerca de três dias atrás e a mostra de inauguração ainda está em aberto. Logo abaixo colocarei uma imagem do livro e um vídeo explicando melhor a ideia do seu conteúdo.


  Vídeo sobre o livro:

  Mais: imagens:





   Vídeos sobre a tribo:

 

  Fonte de conhecimento:

Djuena Tikuna



  Djuena Tikuna é uma cantora amazonense, com uma voz doce e ao mesmo tempo forte, que usa seus versos para retratar a realidade de seu povo, começou sua vida artística aos 14 anos de idade após assistir uma peça teatral chamada "Antes quando o mundo não existia" de Nonato Tavares, mas sua maior influência foi sua mãe que cantava no grupo Wotchimaucu.   
  Misturando suas tradições com a sonoridade Amazônica e da World Music, Djuena consegue perfeitamente disseminar sua cultura e nos mostrar os seus ideais e realizações. 
  Seu trabalho vem sendo reconhecido cada vez mais e um grande exemplo disso foi a apresentação feita na Rio+20 e um curioso dueto que fez com um cantor japonês, que foi até Manaus exclusivamente para gravar com ela. Outro ponto que a mídia em massa destacou foi a representação do hino nacional cantado em Tikuna feito por ela.
  Seu primeiro CD solo é intitulado Saudade da Aldeia, onde ela retrata a falta que sente das coisas simples que viveu até seus 8 anos de idade, quando saiu da sua comunidade para viver na cidade. Sobre o CD Djuena diz:

 "Esse é o meu primeiro CD solo e por isso estamos produzindo com muito carinho e cuidado. As músicas, os arranjos, as letras e tudo o que queremos colocar no disco estão sendo muito bem pensados".

Fiquem agora com alguns vídeos:



 

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Ailton Krenak


  Um dos maiores militantes indígena,s além de ambientalista, coordenador da rede povos da floresta e ex-deputado federal, Ailton Krenak teve seu primeiro contato com o homem "civilizado" aos 9 anos de idade, quando se viu obrigado a sair de sua terra para um lugar distante e desconhecido. Toda essa movimentação territorial, fez com que um enorme medo o afligisse, criando nele a determinação de manter as raízes de seu povo vivas.
  Todas as experiências e conhecimentos que teve a partir do contato com os ancestrais em diversos dos rituais de seu povo, deram a Ailton a segurança de sua identidade e a força para lutar.

"A memória e identidade sãos veículos 
para a gente passar em qualquer lugar."

  Ailton nasceu e cresceu em Minas Gerais, junto com a sua etnia. Aos 17 anos migrou para o Paraná junto com seus parentes, foi quando, aos 18 anos teve a sua alfabetização. Seu caminho após isso foi crescendo e o levando cada vez mais alto e mais forte nos caminhos de manter seu povo e sua identidade unidos. O levou a transmitir toda a sustentabilidade e forma de pensar que aprendeu, quando muito novo, com o contato com as forças da natureza.
  Foi na década de 80 que Ailton começou a se dedicar única e exclusivamente as articulações dos movimentos indígenas, o que o levou em 1987 a fazer um dos gestos mais marcantes em pleno Congresso Nacional, enquanto discursava sobre os retrocessos nos direitos indígenas pintou seu rosto de preto com a pasta do jenipapo.

Ailton Krenak se pinta com a pasta de jenipapo


  No decorrer da sua vida participou de inúmeros projetos que levassem a diante a mensagem indígena e que garantissem os direitos para seus iguais. Hoje em dia voltou a viver em MG, mais próximo do seu povo e é coordenador do Núcleo de Cultura Indígena, uma ONG que foi idealizada por ele mesmo.
  
  Projetos que ele faz parte:


Conheça um pouco mais da história de Ailton Krenak:



Participação no 20 ideias para girar o mundo: