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Rituais da Cura entre os indígenas do Brasil no século XVIII


O corpo, de acordo com Roy Porter, sempre foi dotado de significados, e “Desde os tempos mais remotos, todas as sociedades tiveram algum conhecimento tangível das vísceras, até em função das práticas de abate e sacrifícios de animais.” (PORTER, 2004: 73). A partir desta afirmação, essa medicina “popular” acabou não sendo tão explorada, cabendo ao historiador o papel de investigação, Revel e Peter nos diz que essa medicina: “Ela é, aliás, múltipla: prática tradicional dos cirurgiões, dos barbeiros, medicina branca das “senhoras idosas”, aquela mais sombria dos algebristas e dos feiticeiros.” (REVEL, PETER, 1972: 149). Analisaremos especificamente aqui o caso indígena.
 Para analisar os processos da cura oriundos dos conhecimentos indígenas, devemos primeiramente nos ater ao contexto histórico da época pois,
“Torna-se clara a impossibilidade de estudar as doenças e a medicina de uma comunidade, sem conhecer seus hábitos, cultura e tradições. E mais: este estudo torna-se totalmente equivocado quando fora de seu contexto histórico temporal.” (GURGEL, 2009:19)
Outro ponto importante é que as populações indígenas brasileiras não detinham escrita, desta maneira suas tradições eram passadas oralmente o que dificulta muito estudar as suas práticas e costumes, “(…) para tentar desvendar o mistério das moléstias que afligiam estes povos, foi necessário apelar, além de testemunhos europeus pioneiros, para a arqueologia e ciências correlatas.” (GURGEL, 2009:47)
De acordo com, Eliane Cristina Deckmann Fleck (2005), para os indígenas, a enfermidade era algo sobrenatural, seriam forças superiores aos homens que acabavam por possuir o corpo do indivíduo, sendo este levado a recorrer à ajuda da magia, religião e ervas medicinais como uma possível solução para sua enfermidade. E a doença para estes era uma forma de punição de erros cometidos pelo indivíduo. “ (...) a perturbação da ordem natural – por intervenções sobrenaturais – decorria de transgressão moral ou religiosa.” (FLECK, 2005:78)
A documentação que analisamos contém grande foco no trabalho dos jesuítas como mediadores dessa cura na colônia, de acordo com Daniela Buono Calainho (2005) além de trabalharem incansavelmente na difusão da fé cristã, “(…) os jesuítas também foram uma grande âncora da saúde na colônia, atestada pela vastíssima documentação das correspondências que mantiveram com seus irmãos em Portugal.” (CALAINHO, 2005:4) 
Como podemos perceber, a falta de pessoas formadas na área médica deixava uma brecha muito extensa para o desenvolvimento das práticas dos curandeiros indígenas, como dos demais práticos.
“Alguns deles vinham de Portugal já formados nas artes médicas, mas a maioria acabou por atuar informalmente como físicos, sangradores e até cirurgiões, aprendendo na prática, o ofício na colônia, como José de Anchieta.”(CALAINHO, 2005:4)
Devemos lembrar que essas práticas eram repreendidas pelos jesuítas que tinham como um de seus objetivos a reordenação moral da população e viam nas práticas indígenas resquícios de um paganismo que deveria ser combatido.
Os conhecimentos dos indígenas em relação à fauna e flora da nova região era muito utilizado pelos jesuítas, que além de tudo eram exímios observadores das ervas medicinais. Um dos motivos da grande utilização das ervas curativas pode ser demonstrado na dificuldade do transporte de medicamentos, como Daniela Buono Calainho (2005) nos demonstra:
“Os medicamentos que supriam suas boticas vinham do Reino, mas a pouca frequência de chegada dos navios, as eventuais perdas por deterioração nas embarcações e nos portos e os altos preços obrigaram-nos, ao longo tempo, a se voltarem para os recursos naturais oferecidos pela nova terra, ajudados pelos conhecimentos indígenas na decifração desta natureza estranha.” (CALAINHO, 2005:6)
Não podemos deixar de observar que a circulação de medicamentos dentro da colônia deveria ter um alto grau de dificuldade, tanto no seu transporte de Portugal até a colônia como dentro do seu território, sem contar que esse grau de dificuldade encarecia ainda mais os medicamentos, dificultando o acesso da população mais pobre.
Tais características evidenciam as necessidades que possuíam os jesuítas de terem acesso à esse saber que os índios detinham, já que o acesso da população colonial aos medicamentos era escasso e limitado.
“(...) os registros feitos pelos padres jesuítas, ao longo do século XVII, revelam uma absorção cada vez maior da farmacopéia (ervas, resinas e folhas), bem como da terapêutica empregada pelos indígenas, com algumas adaptações, como nos casos dos ferimentos expostos (...)”. (FLECK, 2005:85)
Um fato que não podemos deixar de observar é que para os jesuítas o Novo Mundo era completamente diferente do que estavam acostumados no Reino. Os costumes indígenas eram vistos como anormais e muitas vezes não conseguiam ser assimilados pelos missionários, que ficavam assombrados com costumes como o canibalismo, o incesto e a poligamia. Nessa categoria podemos incluir os rituais de cura indígenas e aqueles que os praticavam, como também os que buscavam pelas suas curas.
Tanto os indígenas como seus costumes e práticas eram vistos pelos missionários como manifestações ruins e assim,
“(…) a empreitada hercúlea da catequese esbarrou ainda na ação nefasta do xamanismo tupi, destacando-se, no conjunto destes ritos, variados procedimentos curativos, vistos pelos inacianos como ilegítimos e demonizados.” (CALAINHO, 2005:12)
Os pajés como detentores dos saberes curativos se tornaram o alvo principal da cristianização, era necessário desmistificá-los, demonstrar a falsidade do seu poder de cura e assim, demonizá-los perante a população, delegando a Deus o poder da cura.
Daniela Buono Calainho conclui seu artigo da seguinte maneira:
Para além do que vinha da farmacopéia européia e oriental, a natureza brutalizada e violenta do mundo colonial ofereceu aos inacianos ervas, raízes, enfim, os remédios para as curas, auxiliados pelos conhecimentos dos nativos, graças a quem os jesuítas adensaram suas fórmulas e práticas curativas. No entanto, foram estas mesmas práticas que serviram de apoio ao projeto catequético inaciano, projeto aculturador, que, em nome da fé cristã, marcou presença decisiva no mundo colonial (CALAINHO, 2005:15).
Podemos assimilar que as práticas indígenas e seus conhecimentos mesmo demonizados pelos jesuítas foram muito utilizados, tanto pela escassez de medicamentos como pelo seu baixo custo e facilidade de acesso, tornando assim a relação índio-missionário em um trato de amor e ódio, desmoralização e necessidade, desmistificação e posse.
A importância da aliança entre saberes tradicionais indígenas e as pesquisas científicas feitas no século XVIII é demonstrada com as permanências culturais de ritos, mitos e ervas medicinais com as novas práticas dos profissionais da cura. Nesse sentido, essas práticas medicinais merecem ser mais bens estudadas nesse projeto de pesquisa que apresentamos.


Autores do Texto:
Jakline Estevão Costa e Karoline Conceição da Silva Cardoso

Referência Bibliográfica:

CALAINHO, Daniela Buono. Jesuítas e Medicina no Brasil Colonial. Tempo, Rio de Janeiro, nº 19, pp. 61-75. 

CASTRO, Eduardo Viveiros de. A inconstância da alma selvagem. São Paulo, Cosac Naify: 2002.

GURGEL, Cristina Brandt Friedrich Martin. Índios, Jesuítas e Bandeirantes. Medicinas e Doenças no Brasil dos séculos XVI e XVII. Campinas, SP, 2009.
FLECK, Eliane Cristina Deckmann. Sobre feitiços e ritos: enfermidade e cura nas reduções jesuítico-guaranis,século XVII. Topoi.v.6, n.10, 2005, pp. 71-98. 
LE GOFF, Jacques. História: Novos Objetos.In: REVEL, Jacques, PETER, Jean-Pierre. O Corpo O homem doente e sua história. Rio de Janeiro, 1976.
PORTER, Roy. RIBEIRO, Veras. Das tripas coração. In: O corpo. Rio de Janeiro: Record, 2004.
STANCIK, Marco Antonio. Medicina esaúde pública no Brasil: Dos pajés e físicos aos homens da ciência do séculoXX. Revista Esboços. Volume 16, nº 21, pp. 111-136 – UFSC.

TAUSSIG, Michael T. Xamanismo, colonialismo e o homem selvagem: um estudo sobre o terror e a cura. São Paulo: Paz e Terra: 1993

Kaxinawá ou Huni Kuin

  São pertencentes a família linguística Pano, que abrange do Peru até o sul do Amazonas, sendo que as aldeias brasileiras estão no estado do Acre e se espalham por diversos rios da região, esses dois grupos foram divididos após uma rebelião com os seringalistas, sendo que uma parte subiu para a cabeceira do rio Purus no Peru enquanto a outra permaneceu aqui. Ainda hoje eles mantes os lanços culturais a partir dos casamentos entre as tribos, mas são visíveis as diferenças que essa mudança de localização causou nesses dois grupos. Todos os subgrupos nawá são pertencentes a essa família por terem tanto a língua como a cultura muito próximas uma da outra. Cada um desses subgrupos se auto denominam huni kuin (homens verdadeiros), talvez por ainda manterem vivas a tradição e cultura de seu povo, algo que os distingue dos outros homens são as transições de nomes que sofrem.

    Os primeiros contatos com os não-índios se deu quando os seringalistas fizeram excursões pela região em busca de escravos, mas pouco se sabe dessas excursões pela falta de informações que foram escritas ou armazenadas. A chegada desses seringueiros, infelizmente, não foi algo passageiro, pois para se ter a borracha as árvores precisam ser mantidas e preservadas, o que fez com que permanecessem no local, independente dos autos e baixos do mercado vigente. Algo muito chocante mas corriqueiro na época foi a violência sofrida pelos indígenas, que além das doenças trazidas pelos homens brancos foram obrigados a se deslocarem de seu local de origem em violentos confrontos com os mateiros (homens responsáveis por abrir as estradas para as seringas), que além de seu serviço habitual deveriam limpar a área dos índios arredios. Com o tempo e a pressão dos seringalistas os índios foram se aquietando, os que não eram a favor mudavam de região, sendo que até pouco tempo atrás existiam tribos no Peru que evitavam qualquer tipo de contato com os não-índio.
  Na parte espiritual eles acreditam que os verdadeiros xamãs, conhecidos como mukaya que continham em si o muka, morreram a muito tempo, mas isso não os impedem de realizar seus rituais e cerimônias que se tornaram menos poderosas mas aparentemente do mesmo modo eficientes, talvez pelo fato de que os mukaya tinham apenas o privilégio da retirada do muka, enquanto o conhecimento da comunicação com os yuxin (mundo espiritual) é restrita dos mais velhos. Esse fato deixa ambíguo o fato da existência ou não dos xamãs, pois muitos detém o conhecimento da tribo. Alguns acreditam que essa frase pode ser interpretada pelo modo de que muitas regras de abstinência eram afligidas aos mukaya, regras essas que não tem poder sobre os mais velhos da tribo. Algo de suma importância é o contato feito com o yuxin, pois os Kaxinawá acreditam que as doenças e coisas ruins estão nesse plano, sendo que apenas o mediador que contém os conhecimentos pode apaziguar esses males. A iniciação no xamanismo pode ser fita tanta de livre e espontânea vontade, quando o interessado busca aprender, quanto pela escolha dos yuxin que conseguem enxergar o muka existente no coração do escolhido. Vale ressaltar que qualquer um pode tentar ser um xamã mas nenhum conhecimento pode criar o muka e apenas quem tiver essa substância poderá de fato extrair os poderes necessários para os rituais.
  Os mitos de criação desse povo estão sempre ligados a algum animal que os ensinou. O animal é o “huni kuin encantado” e o yuxin pertencente nele ensinou aos homens tudo que eles deveriam saber. Alguns exemplos são: o esquilo que ensinou a arte de plantar (pela sua figura de estocagem de comida, algo que é necessário para aprender o plantio), o macaco que pelos seus hábitos ensinou como se deve copular, a rata que ensinou como são feitos os partos, a aranha com o dom da tecelagem e muitos outros animais.
  A organização social deles é fortemente fundada na divisão dos sexos, sendo que as atividades sempre são feitas com as mulheres de um lado e os homens do outro, o que é muito importante nos rituais. As crianças são ensinadas desde cedo as atividades do cotidiano e com o passar dos anos a dificuldade dessas atividades vão aumentando. Logo quando nasce a criança recebe o seu nome e tem o período da infância para se adaptar aos poucos com ele, os termos de parentesco também são ensinados nessa mesma época e depois que eles são gravados e dominados os nomes próprios vão sendo substituídos por esses termos de parentesco.
  Existem vários tipos de rituais praticados por eles, sendo que alguns são:

  •         Txidin: Caracteriza-se pelos cantos da criação do mundo, pela dança do líder e pelo acompanhante. É feito com vários elementos e cada um deles tem a sua característica e importância bem estabelecidas, sendo que de um lado ficam os filhos da onça e do outro os filhos do brilho, complementando um ao outro no mito da criação;

  •          Katxanawá: É o ritual da fertilidade e normalmente é feito várias vezes ao ano. Basicamente é a representação em dança dos yuxin da floresta em torno de um tronco que foi cortado, descascado e esvaziado dentro da floresta pelos homens que fazem o papel de invasores;

  •          Festa do fogo novo: Consistia na mudança do fogo velho para o fogo novo de forma ritualística, com caçadas que davam alimento para vários dias de festa. Hoje em dia esse ritual perdeu seu significado pois o fogo novo pode ser e é feito todos os dias;

  •          Casamento: O interesse nas meninas da tribo pelos homens se torna legítimo após a primeira menstruação, uma série de fatores pode influenciar na escolha do pretendente, como ser um primo próximo da mesma aldeia no caso do primeiro casamento. Antes do casamento ser consumado a mãe consulta a filha sobre o pretendente, que consultou a mãe que por sua vez vai consultar o marido. O casamento é consumado a partir do momento que o pretendente começa a dormir na casa do sogro, caso ele já tenha uma esposa, deve-se construir uma habitação próxima da casa da pretendente onde eles irão morar juntos. O casamento em si não é considerado importante o suficiente para se fazer uma festa e o máximo que ocorre é o ritual descrito.

  •          Outros rituais praticados: Nixpupima e Dau.

    A arte é algo muito importante para eles, as pinturas corporais podem ser feitas em ocasião das festas ou pelo simples fato de gostarem de se arrumar. As crianças não recebem desenhos apenas são enegrecidas com a pasta do jenipapo dos pés à cabeça enquanto os adultos tem o rosto todo pintado. A pintura com o jenipapo é considerado algo feminino, nas festas muitas delas podem ficar sem os desenhos mas no cotidiano quando o marido trás o jenipapo da floresta, logo se animam em fazer a pasta e pedir para alguém as pintar. Os mesmos formatos das pinturas de rostos podem ser encontrados nos corpos, cerâmicas, tecelagens e outros diversos meios de representação artística.
  A maioria das atividades de produção são feitas pelas mulheres, desde o mingau até a preparação dos alimentos arranjados nas caçadas. Os trabalhos cotidianos, como lavar roupa, o trato da cozinha, da cerâmica, do algodão, da fabricação de alguns tipos de cestos para o uso doméstico e do roçado também são atividades femininas, exceto o plantio do amendoim que é feito por homens e mulheres. Enquanto que a principal atividade feita pelo home é a da caça, os meninos a partir dos oito anos de idade já podem acompanhar os pais nesses eventos. Outras atividades feitas pelos homens é o preparo da terra para o plantio, a pesca e a coleta de frutas silvestres (algo que também pode ser feito pelas mulheres).

Mantendo a cultura

  Uma iniciativa muito bacana para a preservação da cultura dos Huni Kui é o livro Uma Isi Kayawa – O livro da Cura, que foi idealizado pelo pajé Agostinho Manduca. Seu sonho era que todo o conhecimento das ervas medicinais que possuía não fosse perdido quando morresse, infelizmente quando o livro foi lançado o pajé já tinha falecido e não pode contemplar a sua obra idealizada. O livro foi lançado no rio de janeiro, cerca de três dias atrás e a mostra de inauguração ainda está em aberto. Logo abaixo colocarei uma imagem do livro e um vídeo explicando melhor a ideia do seu conteúdo.


  Vídeo sobre o livro:

  Mais: imagens:





   Vídeos sobre a tribo:

 

  Fonte de conhecimento:

Os Karajá: A etnia de Aruanã


  Os Karajá ou Iny, como se auto denominam, vivem na região do rio Araguaia nos estados do TO, MT e GO. Hoje contam com cerca de quatro mil indivíduos que apesar de toda a socialização com os não-índios ainda mantêm firme sua cultura, tradições, língua e ensinamentos.  A denominação Karajá é datada do ano de 1908, quando foi consagrada após sofrer diversas modificações, mas a auto denominação original dessa etnia sempre foi Iny, que na língua deles significa “Nós”. Em relação a língua original da etnia, classificamos ela como pertencente ao tronco Macro-Jê que engloba também o Javaé e o Xambioá, que apesar de algumas diferenças na pronuncia são facilmente entendidos entre si. Hoje em dia grande parte das tribos Karajá já tiveram contato com o português e o utilizam no seu cotidiano, como forma de facilitar o contato com os não-índios.
  De acordo com estudos históricos, desde muito remotamente os Karajá travavam disputas com outras etnias para proteger o seu território, como os Kayapó, os Tapiparé, os Avá-Canoeiro, os Xavate e os Xerente. Foram dessas disputas que eles englobaram alguns aspectos de outras culturas. Em relação ao contato com a nossa sociedade, os estudos dizem que houveram duas grandes frentes, a primeira foi uma missão Jesuíta comandada pelo Padre Tomé Ribeiro datada de 1658, já o segundo contato está relacionado com as bandeiras do Centro-Oeste, um exemplo que podemos dar foi a expedição comandada por Antônio Pires de Campos datada entre os anos de 1718 a 1746. O que vale ressaltar é que essas duas expedições foram apenas a porta de entrada para diversas outras que assim viriam, obrigando essa etnia a ter um contato constante com a nossa cultura, independente da vontade ou não vontade deles.
  As aldeias Karajá sofreram diversos abusos por serem pontos de fácil acesso, aqui podemos citar a entrada de diversos estudiosos atrás de objetos culturais valiosos, a construção de um hotel de luxo no território indígena, a busca incessante das bonecas de barro artesanais típicas dessa etnia, as visitas frequentes de diversos políticos e outras frentes com diversos tipos de interesses. O resultado dessas investidas não poderia ser mais desastroso, os homens brancos levaram para os índios a tuberculose, o alcoolismo, a subnutrição e o pior de todos: o preconceito. A população local por falta de conhecimento dos males que causaram aos Karajá os descriminam, sem saber que foram eles os causadores dos maiores sofrimentos a essa e a outras etnias. É aqui que vemos a grande força de vontade e resistência dos Karajá, pois mesmo com todas as adversidades eles ainda mantem firme sua cultura, seus valores e sua organização social.
  Falando um pouco da organização social dessa etnia, devemos começar citando o ciclo de vida deles, que é caracterizado por fases marcantes e diferenciadas em relação ao sexo do indivíduo. O nascimento de uma criança muda de várias formas a vida dos pais, algo bem interessante para ser citado é que passam a ser conhecidos como pai e mãe de ego (aquele que nasceu) e não mais pelos seus nomes próprios.  Assim que o bebê nasce, existe uma tradição muito bacana que é a lavagem em água morna e a primeira pintura com urucum. Como em outras etnias que já estudamos aqui existe uma separação bem definida por gênero. Durante a infância até aproximadamente cinco anos, tanto os meninos quanto as meninas tem o mesmo tipo de tratamento, são criados com as mães e avós. A diferenciação de gênero começa quando aos sete anos o menino tem seu lábio inferior perfurado com osso de guariba e por volta dos seus dez anos passa pela festa de iniciação denominada Hetohoky (Casa Grande). As meninas são consideradas mulheres a partir da sua primeira menstruação, quando ficam reclusas e aparecem apenas na comemoração de Aruanãs e é nesse momento que já estão aptas para o casamento que sempre é arranjado pelas avós dos pretendentes. Após o casamento eles vão morar na casa da mãe da esposa até que a família se torne grande demais e precisem construir uma casa anexa a casa principal. De certo modo é muito semelhante ao Xavante, talvez uma herança cultural adquirida nos confrontos que comentamos acima. 

Perfuração com o osso de guariba

Ritual de iniciação masculino
  Como podemos reparar, desde o nascimento é bem definida a importância da diferenciação de gêneros, algo que está dentro dos mitos e padrões dessa etnia. O homem aqui sempre vai ser responsável pela defesa do território e da família, de proporcionar a alimentação por meio de caçadas, colheitas, pescas e do preparo das roças para o cultivo, de toda a política interna e externa da tribo, da fabricação e manutenção das casas como de toda a parte xamânica. As mulheres por sua vez são responsáveis pela educação dos filhos, dos meninos até o ritual de iniciação e das meninas por toda a vida, pelos afazeres domésticos, pelos artesanatos, pelo preparo do alimento e por rituais que demonstrem o lado afetivo da aldeia, um exemplo é quando alguém está doente ou morre, o ritual realizado é de responsabilidade feminina, talvez por utilizar muito o lado emocional. Uma característica muito bacana dos Karajá é que eles preferem a monogamia, se a traição do marido for de conhecimento público os homens da família da esposa traída podem se vingar pelo ocorrido na frente de todo o restante da aldeia. Outro fato muito bacana é que a família é tida como um ponto referencial cultural muito importante para eles.
  Dentro da aldeia, que é a unidade básica da organização social Karajá, são tomadas todas as decisões políticas internas e externas. O local escolhido para os debates é a casa de Aruanã, é nela que elegem o “Capitão”, pessoa responsável por todo contato com as organizações externas como: FUNAI, ONGs, universidades, governos estaduais e quem mais tenha algum tipo de interesse na aldeia. Um fato muito intrigante é um tipo de chefia existente, que parece ter duas funções: ritual e social. Essa chefia normalmente é escolhida por um então chefe e é feita de uma maneira simples: uma criança do sexo feminino ou masculino, que tenha ligação paterna com o chefe atual é escolhida e treinada para ser o sucessor(a) no comando. O chefe e a criança são conhecidos como Ióló e Deridu respectivamente.
  A arte é muito importante para essa etnia, aqui podemos incluir diversos aspectos. Vou começar falando um pouco da pintura corporal, que faz parte dos rituais de puberdade tanto feminino quanto masculino. Antigamente, antes do contato com o não-índio, os jovens se submetiam a pintura do omarura, que consistia em dois círculos tatuados na face com a mistura de jenipapo e fuligem de carvão aplicada sobre a pele já sangrada pelo peixe dente-cachorra. Após o contato e o preconceito estabelecido pelos ribeirinhos o ritual foi modificado, hoje em dia os jovens apenas fazem os círculos na face, sem mais a sangria do peixe. Na pintura feminina é utilizado o urucum e os padrões normalmente estão ligados a natureza. Um dos grandes atrativos para os turistas são as cerâmicas produzidas pelas mulheres, aqui podemos e devemos citar a boneca Karajá, que tem um grande valor cultural, social e econômico, pois é muito procurada pelos turistas que vão até a região.  Esse ofício é tão importante para toda a nossa cultura que após a realização de um projeto foi considerado Patrimônio Cultural do Brasil. A arte plumária também é muito importante para os Karajá, mas com a dificuldade cada vez maior de encontrar araras os enfeites tem se reduzido drasticamente em sua produção.

Pintura Corporal Karajá

Pintura Karajá
 
Bonecas Karajá
 
Bonecas Karajá
 
  Uma parte que muito me atraí no estudo dos Karajá é a cosmologia. O mito de criação deles diz o seguinte:

Ritual de Aruanã
 
“Aruanã era um peixe que vivia nas profundezas do rio Araguaia. De vez em quando subia às margens do grande rio, e contemplava a vida humana. Seu ser aquático enchia-se de tristeza, pois pensava que a verdadeira felicidade estava no cheiro do ar, na beleza da terra. Sentia-se perdido e infeliz em viver nas águas e ser um peixe. Sonhava um dia tornar-se homem e correr pela terra seca.
Na festa do Boto, o senhor das águas, realizada nas profundezas do Araguaia, todos os seres aquáticos participavam felizes. Lá estavam a bela Iara e a sua irmã Jururá-Açú, deusa das chuvas, e todos os peixes e habitantes do grande rio, numa alegria radiante. Só Aruanã mostrava-se infeliz, a sentir-se estranho àquele mundo, a lamentar ter nascido no rio e jamais poder respirar o ar.
Ao sair da festa do Boto, Aruanã nadou, nadou, subindo sempre na direção da superfície das águas. Num ímpeto de coragem e determinação em sentir o aquecimento esplêndido da força do Sol sobre a Terra, ele pôs a cabeça de fora das águas. Quase a sufocar com o ar, falou com todas as suas forças de peixe sonhador em busca da felicidade:
-Grande Tupã, senhor da vida e da natureza, na água nasci, mas nela não quero morrer. Se peixe é o meu corpo, meu coração é humano. Tira-me das águas que me faz infeliz e sem sentido, dá-me o ar como forma de pulsar e a condição de homem como realizador da vida.
As palavras de Aruanã saíram tão veementes, que Tupã percebeu o verdadeiro destino do valente peixe e a essência da sua alma. Compadecido, o senhor das matas desceu às profundezas do rio Araguaia, arrebatando de lá o infeliz peixe. Voou com Aruanã, que não podendo respirar, debatia-se no ar. Por fim, Tupã deixou-o no campo, sob os raios intensos do Sol e das brisas suaves dos ventos.
Aruanã debatia-se sobre a relva, pensando que iria sufocar. Não amaldiçoou Tupã, pelo contrário, mesmo sem conseguir respirar o ar da Terra, agradeceu por aquele momento final, iria morrer longe das águas, como sempre sonhara. Fez um louvor ao deus e cerrou os olhos, à espera da morte e da felicidade alcançada.
Comovido, Tupã iniciou a metamorfose do peixe. Em vez da morte, Aruanã viu as escamas transformadas em pele, revestida de pelos suaves que a brisa contornava em desenhos; braços e pernas musculosas davam-lhe o aspecto viril. O ar finalmente chegou-lhe aos pulmões. Sentiu o cheiro da Terra. Olhou emocionado para o seu corpo e sorriu feliz, já não era um peixe, e sim um homem, forte e belo.
-Provaste que tens um coração grandioso e valente. – Disse-lhe Tupã. – Serás um grande guerreiro entre os homens; pai da mais sábia das tribos. Aruanã peixe foste, Aruanãs hás de te chamar como homem. Vá, cumpra o teu destino de homem guerreiro!
Para saldar o belo e jovem Aruanãs, as Parajás, entidades da justiça das matas, vieram e prestaram honras ao guerreiro. Deram a ele uma tribo e as mais belas mulheres. Unindo-se às mulheres, o jovem guerreiro gerou filhos e filhas, dando origem aos valentes Carajás, que formaram uma tribo de índios valentes a viver às margens do rio Araguaia. Todos os anos, por ocasião da Lua cheia, os Carajás realizam o Ritual do Aruanã, prestando, através da dança e do canto, a homenagem justa ao pai da nação Karajá.”

Ritual de Aruanã

  Esse mito de criação é uma das versões, se vocês procurarem na internet encontraram diversas outras versões, o que importa ressaltar é que está intimamente ligado com todo o sistema ritual e até mesmo social dessa etnia, pois tudo que fazem é regido pelos mitos, seja o local onde a aldeia vai estar localizada, o local onde construíram as casas ou pescam. Tudo está intimamente ligado com os rituais e a sabedoria ancestral de seu povo. 


 Confira alguns vídeos:


Kamaiurá ou Kamayurá

  Os Kamaiurá contando com cerca de 467 indivíduos pertencentes a família linguística Tupi-Guarani estão localizados no Mato Grosso e são conhecidos pela sua grande importância cultural, fato identificado nas diversas relações intergrupais que eles estabelecem com etnias semelhantes em suas características mas com linguagens diferentes. Um desses rituais intergrupais já foi comentado, de uma maneira bem sucinta aqui no blog, o Kuarup.

 
 

  Em relação ao histórico de contato deles, deixo que as palavras do professor indígena Aisanain Kamaiurá expliquem por mim:


Antigamente o povo Kamaiurá morava onde era a aldeia velha do Prepori, o lugar que se chamava Krukitsa. Depois eles mudaram para Wawitsa, onde hoje é o posto Pavuru. Nesse lugar os povos Suiá e Yudjá estavam atacando os Kamaiurá. Depois eles se mudaram para Jacaré e outros atravessaram o rio e foram para a lagoa abrir uma aldeia. De lá eles mudaram para o outro lado do lago. Hoje em dia tem pessoas morando nessa aldeia ainda. Lá eles fizeram cinco aldeias porque eram muitas pessoas. Passaram-se muitos anos e Orlando Villas-Bôas chegou lá na boca do Tuatuari. Os Kamaiurá foram lá só para ver os brancos. Aí eles fizeram uma aldeia bem grande e metade dos Kamaiurá foi para lá por causa do branco. Orlando desceu o rio, ele queria fazer um posto lá no Morená. Ele pensou que era limpo, mas era sujo. Ele desceu para Awara´ï. Lá eles fizeram um pouso de avião. Nesse lugar tem gente morando, é a aldeia Boa Esperança. Os Kamaiurá vieram atrás dos brancos. Depois de dez dias, um Kamaiurá chamado Amarika, que conhecia todos os lugares do Xingu, falou para o Orlando do Jacaré, disse que era um lugar bom. Orlando conversou com o pessoal dele e no outro dia foram lá. Os Kamaiurá que estavam com ele voltaram, saíram do Awara´ï bem cedo, dormiram lá na aldeia do Trumai, uma aldeia que se chamava Inarija. Hoje em dia ninguém mora mais nesse lugar. De lá eles foram para o posto Leonardo, onde muitos povos se juntaram: Kamaiurá, Yawalapiti, Waurá e Trumai. Eles fizeram uma grande festa no posto Leonardo. Então Orlando pediu para o cacique abrir picada para a aldeia Kamaiurá.”

Aldeia
As diversas fases de construção de uma casa kamaiurá.
Foto: Carmen Junqueira, 1972.



  A aldeia segue um modelo típico dos povos do Xingu, com as casas cobertas de sapê e teto arredondado seguindo até o chão. Na área central de todas as casas fica o pátio, de lá saem diversos caminhos, tantos para as áreas públicas como para as casas particulares. Um dos caminhos mais importantes é o que leva para a casa das flautas, típico instrumento dessa etnia que só podem ser vistos ou tocadas por homens.

  Em frente à casa de flautas, virado para o leste, está o banco da roda dos fumantes, local que os homens se reúnem para conversar sobre o dia, combinar novas caças ou pescarias, aonde também recebem visitantes de outras aldeias, realizam as lutas do huka-huka e fazem os pagamentos, tanto em troca de serviços como agrados em relação as festividades.

  Vale ressaltar que a única parte que fundamentalmente é dominada pelas mulheres e crianças é a moradia. Ao lado da casa central existem outras habitações menores onde habitam famílias nucleadas e aparentadas, sendo que todos eles compartilham a parte central da casa pois é lá que estão localizados os depósitos de alimentos e o fogo.

  Além das casas se encontram os caminhos para as roças e para a floresta, local que utilizam tanto para encontros amorosos como para o contato total com os espíritos sobrenaturais. Eles acreditam que todas as transformações, tanto homem em bicho como bicho em homem são feitas nesse local pelo contato direto com a parte espiritual.  

Organização Social e Política


  Como visto acima, a Aldeia Kamaiurá é formada por um conjunto de casas, sendo que cada casa tem as suas famílias nucleadas. Cada casa também contém um líder que delega a função para os demais participantes do conjunto. Uma das regras de residência é relacionada ao casamento, nela diz que nos primeiros cinco anos de casados o marido deve ir morar na casa do sogro, pagando sua estadia e a concessão da mão da esposa com trabalhos diários, após esses cinco anos o casal pode ir morar em outra residência, normalmente é a casa de origem do marido. Essa regra não é aplicada no caso do homem já ser casado, nesse caso a mulher vai morar na residência do marido que paga a concessão com bens. Com esses casamentos é feita uma grande aliança entre as casas.
  Em relação a formação do indivíduo Kamaiurá, as regras não são muito diferentes dos Xavante. Os homens também ficam reclusos por um determinado período que está intimamente ligado a sua importância social quanto homem, sendo que o tempo máximo é de cinco anos. Nesse período de reclusão eles aprendem os diversos afazeres masculinos e treinam para a luta do huka-huka. A diferença em si está na formação das mulheres, aqui quando elas entram na puberdade também ficam reclusas, só que por no máximo um ano, assim que a primeira menstruação desce. Nessa reclusão elas aprendem os afazeres femininos, tanto artesanais como na preparação dos alimentos. Um fato interessante é que durante esse período de reclusão as mulheres não podem cortar seus cabelos, tornando as franjas grandes o suficiente para passar da marca dos olhos.
  Sobre a nomenclatura ela é feita basicamente assim: Quando o índio nasce recebe o nome do avô paterno, após furar as orelhas recebe outro par de nome, também dos avós só que agora paterno e materno, esse nome o acompanhará pelo restante da vida. Com as mulheres o sistema de nomenclatura é o mesmo.
  A unidade política dessa etnia se concentra na aldeia. O líder é o mediador entre os conflitos e desde muito novo passa por todas as provações que essa posição social lhe confere. Seu poder é exercido juntamente com os líderes das casas, que o apoiam e passam para seus residentes as ordens que o líder da aldeia dá. Esse cargo tem uma regra de sucessão muito flexível o que costuma gerar muita competição entre quem o deseja.


O Sistema Ritual do Alto do Xingu


  Existe uma grande articulação entre os povos alto-xinguanos o que confere para os Kamaiurá a crença de uma mesma criação para todos esses povos. Um dos grandes rituais que podemos utilizar de exemplo é o Kuarup, que é a despedida dos mortos, uma grande celebração feita em uma aldeia que reúne diversas etnias dessa região para uma dramatização de despedida para os entes falecidos, aqui também tem as famosas lutas do huka-huka e eventuais trocas de artesanato.
  Se por um lado no Kuarup a solidariedade alto-xinguana é demonstrada com grande força e evidencia, na festa do Jawari isso é negado. Nela é celebrada a diferença e a rivalidade entre esses povos, sendo que apenas um grupo é convidado. Aqui o ponto alto é a competição de arremesso de flecha.
  Assim conseguimos visualizar os opostos, a solidariedade e a hostilidade. O que de certo modo é uma forma de manter a unidade de cada um, creio que por isso os grupos se afastam dos demais, para não perder suas características pessoais, já que grande parte das características são divididas com os demais. A troca de bens por outro lado é algo que eles praticam muito, criando assim uma vinculação econômica entre eles. 


Cosmologia

  Aqui conseguimos perceber algumas áreas distintas no tempo: o tempo mítico, o tempo dos avós e o tempo presente. Cada um deles tem a sua representação sendo respectivamente: a criação do homem, antes do contato com os homens brancos e os primeiros contatos com os homens brancos até atualmente.
  Uma das versões do mito de criação dos Kamaiurá conta que tanto eles como os brancos são criados por Mavutsinim, que despeja o sangue dos Kamaiurá nos brancos para que eles existissem. A criação de ambos foi com o propósito de formar uma grande aldeia. Quando os dois se tornaram adultos Mavutsinim criou um lindo arco negro e a arma de fogo, mandando que o Kamaiurá pegasse a arma e o branco o arco, mas o índio encantado com a beleza do arco desobedeceu Mavutsinim, deixando o mesmo irado, o que fez com que ele separasse os dois povos e desse todos os seus bens mais valiosos para os brancos, dando apenas o peixe e o beiju para o índio.
  Eles acreditam que quando alguém morre vai para uma aldeia celeste réplica da terrena, mas diferente daqui lá eles não precisam trabalhar e vivem sempre enfeitados, não comem beiju e peixe e sim grilo e batata. Quando alguém morre deve ser enterrado enfeitado para assim chegar a essa aldeia, se o falecido for homem um arco com flechas é enterrado junto, se for mulher um fuso, para que consigam chegar em segurança e se defender dos passarinhos que querem tirar pedaços deles para levar ao temido gavião. Acreditam também que se a alma morre nesse percurso não tem mais volta, tudo acaba de uma vez.

Atividade Produtiva

  A agricultura aqui tem o grande papel de destaque, é dela que provém os ingredientes para o fabrico do Beiju. Aqui o líder da casa organiza a cooperação entre as demais famílias para o plantio da mandioca, mesmo que cada uma tenha a sua roça particular.  Os homens são responsáveis pelo preparo do plantio e as mulheres pela colheita fora o processamento da mandioca e a preparação tanto do beiju como do mohete, um caldo doce feito da fervura da água que lavou a polpa da mandioca.  O produto derivado desse trabalho é mantido em um estoque comum dentro da casa, sendo que seu consumo será feito por todos, independentemente da participação individual de cada um.
  O peixe constitui a única fonte de proteína animal da dieta Kamaiurá e aqui é evidente a cooperação entre os homens da aldeia. A pesca normalmente é feita pelo uso do Timbó, que é o envenenamento da água represada anteriormente, o armazenamento dos peixes é feito nesse mesmo local represado.
  Na época das chuvas o peixe fica mais escasso e é trocado por diversas frutas como mamão e melancia e diversos outros itens como o milho e a abóbora. Vale ressaltar aqui que a agricultura deles também visa o plantio de plantas cerimonias como o urucu, nesse caso o plantio e colheita são individuais. A caça de algumas aves e coleta de frutas silvestres também ajudam muito na variedade alimentar dessa etnia.
   
   
 
Ritual do Jawari. Foto: Miltom Guran, 1978

Tronco de kwarup. Foto: Aisanain Paltu Kamaiura, 1998. 
Kamaiurá lutam o Huka-huka. Foto: Eduardo Galvão, 1969.
Chefe Kamaiurá. Foto: Miltom Guran, 1978.
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